"Os discípulos João e Pedro correndo ao Santo Sepulcro"

Discípulos João e Pedro - Eugene Burnand (pintor suíço)

É manhã de domingo muito cedo. Os discípulos João e Pedro correm apressados ao Santo Sepulcro: Maria Madalena lhes falou que viu o Mestre vivo, e os dois homens estão correndo à tumba.

Pedro havia negado Jesus por três vezes na noite da morte de Jesus. Os olhos de Pedro revelam o coração dele, os olhos que são a janela da alma. " É verdade ?" ele se pergunta. Ele "está vivo? Isto Ele é o que nos falou, mas como pode ser? Ele me Perdoará?" a túnica de Pedro é preta, representando a dúvida e negação de tudo em nós. As mãos dele mostram os sinais de anos de labuta e trabalho duro como um pescador (agora será pescador de homens). A mão direita dele está em cima do coração que contém a esperança que
ele tem de que o que Jesus disse é verdade. Pedro conduzirá a Igreja.


João, o discípulo amado, o favorito do Mestre está seguro do que ouviu. Ele é vestido em branco que representa a pura fé dele, enquanto nunca questionando, sempre acreditando. Ele se lembra do sofrimento que testemunhou, dos assuntos eternos que Jesus lhe ensinou, e sabe que é verdade: Ele subiu! O amor dele para o Mestre é grande, e as mãos dele são apertadas em expectativa, esperançoso, grato, pronto a abraçar o Deus dele.

João corre à frente de Pedro pois está seguro na fé
e a alegria expectante no coração faz com que apresse o passo.


(http://www.christcenteredmall.com/stores/art/burnand/les-disciples.htm)

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sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Obrigado, padre Virgilio

A cinco anos do falecimento de padre Virgilio Resi - que era o responsável nacional de Comunhão e Libertação -, a memória da sua personalidade e da sua amizade é mais viva do que nunca. O tempo não destrói os encontros verdadeiros, mas faz com que os apreciemos mais. Padre Virgilio viveu a liberdade de abandonar a própria terra e alojar-se em um país distante para aventurar-se na missão. Sabia valorizar tudo e era totalmente aberto ao novo. Conhecia a poesia, os romances e a música popular brasileira melhor do que muitos nativos. Encontrava-se com intelectuais, políticos e artistas, especialmente compositores que ficavam maravilhado pela leitura que ele fazia de seus textos, recebendo uma interpretação verdadeira. Ele foi um sacerdote católico cheio de entusiasmo pela própria vocação e exatamente por isso sabia dialogar com pessoas de qualquer religião, sobretudo com quem se declarava ateu, que com ele, aos poucos, descobria ter um profundo senso religioso diante do mistério último da realidade. Padre Virgilio era, ainda, um homem do povo. Atraía e acolhia os pobres, os abandonados, os que viviam nas ruas e se consolavam nas bebidas. Nele, descobriam uma amizade nova que lhes ajudava a descobrir o valor das pequenas coisas, da natureza e do Senhor do Universo.
Ele amava a beleza do mar e, principalmente das montanhas, que lhe recordavam sua cidade natal: San Piero (Itália). Escolheu como morada a "Serra da Piedade", que é o exato paralelo brasileiro do Santuário de Nossa Senhora de Corzano, onde, ainda muito jovem, tinha escutado que o coração do homem encontra a sua principal satisfação no abraço a Cristo. E, assim, se pôs a seguir o Senhor. Do seu exemplo nasceram várias obras sociais em Belo Horizonte, sobretudo de ajuda aos jovens. No dia 12 de outubro foi realizada a exumação do seu corpo com a participação de sua família. Agora seus restos encontram-se na Capela São José, no alto da Serra da Piedade. Ele, que javia oferecido seu coração ao Infinito, permanece conosco, vivo e incorruptível, apaixonado e forte. Para sempre! Obrigado, grande amigo.
(Revista Passos nº 88)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Meu Deus (O Estado de São Paulo)

Notícias escondidas na grande mídia IV
"As loiras se divertem mais", dizia um slogan publicitário, acho que de tintura para cabelos, anos atrás. Não sei se loiras naturais ou artificiais se divertem mesmo mais, sei que os céticos se divertem menos. Ser um cético na vida significa renunciar a tudo que maravilha e consola os que acreditam.
Na falta de argumentos racionais para o "anti-racionalismo" (ou seja, o "eu" religioso; nde) se pode dizer que o ateísmo não oferece nada parecido, em drama e beleza, como o grande circo místico das crenças e das narrativas religiosas, que além de encantarem ainda prometem a salvação - e não vamos nem falar no teto da Capela Sistina, que nenhum ateu faria igual. O ateísmo é aborrecido como um mundo sem loiras.
(Veríssimo, 20.set.2007 - in passos nº88)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Cristo e o espírito do mundo (Vladimir Legojda)

Disse Dostoiévski: "Se alguém pudesse me demonstrar que a verdade pode ser encontrada fora de Cristo, eu preferiria permancer com Cristo, antes que com essa verdade". Talvez, do ponto de vista estritamente teológico, isso não seja de todo correto; todavia, o conceito fundamental, o seu pathos, expressa perfeitamente a aspiração essencial do cristão, e penso que todos nós entendemos o que Doistoiévski quis dizer. Nesse distanciamento radical entre o cristianismo e o mundo está a substância de todos os tempos. O mundo secular está pronto a aceitar tudo do cristianismo, a sua tradição, os afrescos, os ícones, a filosofia, mas o espírito do mundo jamais poderá aceitar Cristo. A história da humanidade, em certo sentido, é a história do mundo decaído, e é uma tentativa contínua de libertação, uma aspiração contínua à independência. A Igreja, ao invés, á absolutamente dependente, a Igreja depende de Cristo; nós não temos medo dessa dependência; aliás, a apreciamos e a buscamos, e não podemos entender-nos fora dessa dependência, porque quando nós perdemos essa dependência de Cristo, nós deixamos de ser Cristãos. Por mais belas, misericordiosas e inteligentes que sejam as palavras com as quais vestimos a nossa vida. O exemplo de Tolstoi, de que se fala nessa exposição (*Meeting de Rímini), esse grande e genial escritor russo - talvez o mais genial dos escritores russos - demonstra justamente essa tragédia: a tentativa de criar alguma coisa semelhante ao cristianismo, mas sem Cristo.
Do discurso de Vladimir Legojda, professor na Universidade MGMO de Moscou, durante o Meeting de Rímini: "O que é a verdade? Um debate no limiar da Revolução Russa"
(Revista Passos nº 88 - Nov.2007)

terça-feira, 20 de novembro de 2007

A idade de ser feliz

"Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa." (Este pequeno poema de Mário Quintana ajuda a darmo-nos conta de que é preciso abraçar o presente, a realidade, qualquer que seja ela. Devemos nos lançar para águas mais profundas, acreditando na vida, na amizade, nas pessoas, na positividade da vida... acreditando, sobretudo, na Presença de Deus, nesta Presença do Pai, que cuida de cada um de seus filhos - nesta Presença que ama cada filho com amor infinito. Então, devemos empreender, trabalhar, caminhar, prosseguir, pois, o que temos de mais precioso é o nosso Deus e a nossa própria vida. - Não temos tempo para lamentações sobre o passado e para pré-ocupações sobre como será o futuro - hoje é o tempo de ser feliz.)

sábado, 3 de novembro de 2007

O valor de pequenas coisas (Luiz Gonzaga por Maria Betânia)

Duas lindas canções de Luiz Gonzaga interpretadas por Maria Betânia. A simplicidade de lembrar de pequenas-grandes coisas que são importantes na vida de uma pessoa (importantes, porque fazem parte daquela vida, fazem parte da realidade daquela pessoa): cigarro de paia, cavalo ligeiro, rede de maia e cachorro trigueiro... e a segunda canção onde o autor reconhece que tem algumas poucas cabeças de gado, mas não tem outras mais bonitas... e cuida delas com amor; tem "somente" dez filhos, mas não tem outros mais bonitos e abraça seus filhos com a consciência de que são um presente de Deus; e a linda "Rosinha", que o autor olha para ela com uma devoção total diante do criador, por saber que também o seu amor, foi criada e foi escolhida pelo próprio Deus para companheira do nosso autor-personagem. ENFIM, PARA SER FELIZ BASTA VIVER NA SIMPLICIDADE E VIVER O RECONHECIMENTO DE QUE TUDO É SAGRADO, POIS TUDO PERTENCE A DEUS. AS PESSOAS, AS COISAS E AS CIRCUNSTÂNCIAS (É dentro das circunstâncias, dos acontecimentos imprevistos, das contingências, que o ETERNO se manifesta).

O cristianismo é para a felicidade do homem

Construir a Igreja (Enzo Piccinini)
O que salva o homem é uma autêntica dimensão religiosa.
Queremos construir a Igreja onde estivermos, a partir destes templos - bons ou maus (as pessoas) - porque esta é a humanidade verdadeira: edificar a comunidade cristã em todos os lugares. Mas como isto acontece? Nós edificamos a Igreja através da nossa presença. Ser presença: não importa os temperamentos ou os dons que se tenha. A única coisa necessária é a fé. Presença quer dizer o modo de estar dentro das situações, porque não vivemos nas nuvens, mas dentro relacionamento com a namorada, com os pais, com os amigos, com o trabalho, com o estudo universitário, dentro de um determinado momento cultural e político... dentro de tudo.
Ser presença em uma circunstância quer dizer estar de um modo que a perturbe, senão não se é presença. Cristo veio ao mundo perturbando o ventre de uma mulher, perturbando um grande homem que se chama José e colocando em crise os grandes chefes de Israel (ele não disse: "posso?"). Colocou-se por aquilo que era. Ser presença em uma situação quer dizer estar de um jeito que a perturbe, de modo que, se você não estivesse ali, todos se dariam conta porque tudo seria diferente; não porque você faz grandes coisas, mas porque você é você mesmo. Ser presença quer dizer estarmos dentro de uma situação tomando Cristo com aconteciment da nossa pessoa. Não se trata de fazer discursos (perde o tempo que encontra): o verdadeiro anúncio é feito por aquilo que Cristo mudou na nossa vida. É uma confiança humilde e certa. É um paradoxo. Humilde e certa quer dizer: não fundada sobre si mas sobre a graça que nos foi dada por uma Presença que nunca nos deixará ("Eu estarei convosco até o fim do mundo"). Uma audácia, uma certeza no futuro. (Trecho de uma conferência proferida por Enzo Piccinini "Viver a Igreja, cultura, caridade e missão" - 14.mai.1999 - Enzo era membro do Movimento Comunhão e Libertação e faleceu em acidente automobilístico em 26/05/99)