A cinco anos do falecimento de padre Virgilio Resi - que era o responsável nacional de Comunhão e Libertação -, a memória da sua personalidade e da sua amizade é mais viva do que nunca. O tempo não destrói os encontros verdadeiros, mas faz com que os apreciemos mais. Padre Virgilio viveu a liberdade de abandonar a própria terra e alojar-se em um país distante para aventurar-se na missão. Sabia valorizar tudo e era totalmente aberto ao novo. Conhecia a poesia, os romances e a música popular brasileira melhor do que muitos nativos. Encontrava-se com intelectuais, políticos e artistas, especialmente compositores que ficavam maravilhado pela leitura que ele fazia de seus textos, recebendo uma interpretação verdadeira. Ele foi um sacerdote católico cheio de entusiasmo pela própria vocação e exatamente por isso sabia dialogar com pessoas de qualquer religião, sobretudo com quem se declarava ateu, que com ele, aos poucos, descobria ter um profundo senso religioso diante do mistério último da realidade. Padre Virgilio era, ainda, um homem do povo. Atraía e acolhia os pobres, os abandonados, os que viviam nas ruas e se consolavam nas bebidas. Nele, descobriam uma amizade nova que lhes ajudava a descobrir o valor das pequenas coisas, da natureza e do Senhor do Universo.
Ele amava a beleza do mar e, principalmente das montanhas, que lhe recordavam sua cidade natal: San Piero (Itália). Escolheu como morada a "Serra da Piedade", que é o exato paralelo brasileiro do Santuário de Nossa Senhora de Corzano, onde, ainda muito jovem, tinha escutado que o coração do homem encontra a sua principal satisfação no abraço a Cristo. E, assim, se pôs a seguir o Senhor. Do seu exemplo nasceram várias obras sociais em Belo Horizonte, sobretudo de ajuda aos jovens. No dia 12 de outubro foi realizada a exumação do seu corpo com a participação de sua família. Agora seus restos encontram-se na Capela São José, no alto da Serra da Piedade. Ele, que javia oferecido seu coração ao Infinito, permanece conosco, vivo e incorruptível, apaixonado e forte. Para sempre! Obrigado, grande amigo.
(Revista Passos nº 88)

Um comentário:
O Virgílio que conheci bem - e gostaria de ter conhecido muito mais - deixou um gosto de quero mais e uma obra inacabada que me faz perguntar: quem teria o mesmo carisma e intuição dele para prosseguir essa obra? O diálogo entre fé e cultura é algo próprio do legado do mestre de Virgilio, Giussani, mas Virgilio vivenciou isso de modo peculiar aqui no Brasil, criando laços com artistas como Alceu Valença, Bruno Tolentino e outros. A impressão que tenho é que este grupo de artistas que se encantavam com ele, que se reuniam em torno dele, ficaram meio que orfãos após sua morte, como se algo ficasse a meio do caminho..
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