As manchetes dos jornais anunciam as consequências das dificuldades econômicas do Brasil e as atrocidades do terrorismo e da "guerra contra o terror" no restante do mundo. Vemos que apostar na violência da guerra ou homologar a construção da sociedade a um governo salvador da Nação mostra-se inadequado para superar os problemas. Por estes caminhos, nada se muda, porque nada se constrói. A única solução possível passa pela "educação do humano". As dificuldades sociais, políticas e econômicas não serão resolvidas imediatamente através de um processo educativo, mas só através dele serão criadas condições adequadas para superar os problemas ou, pelo menos, permitir que eles não esmaguem os povos.
O terror só se sustenta a partir de uma visão deturpada da dignidade da pessoa humana, que vê no outro uma ameaça à própria realização. A guerra, como resposta ao terror é solução limitada e parcial, se é uma solução. Nesse sentido, também o fenômeno da violência urbana nas cidades brasileiras não é diferente do terrorismo.
Em qualquer situação, não se pode ser conivente com a morte de inocentes e com a impunidade, mas somente ajudando-nos mutuamente a reconhecer a nossa dignidade, recuperando uma postura solidária em que cada um de nós é co-responsável pelos outros é que podemos efetivamente fazer frente a todas as formas de violência.
Por outro lado, para a mentalidade dominante nosso grande problema é político-econômico - e sua solução implica em desenvolvimento, distribuição de renda, etc. Contudo, açõe efetivas neste sentido exigem criatividade, dedicação e consenso da sociedade. O Estado, por si só, não pode atender a todas as necessidades dos cidadãos, estimular a economia, tornar as empresas eficientes, garantir que não haja corrupção nos órgãos públicos. A construção de um mundo mais humano é principalmente uma questão de "mais sociedade" e não só de "mais eficiência estatal".
A tradição católica sempre nos preocupou com a questão da educação, não somente como qualificação profissional, capacitação para enfrentar problemas técnicos e econômicos, mas também como abertura do coração e da inteligência do homem a toda realidade. Esta postura valoriza as demais tradições, recupera a dignidade humana quando perdida e reconstrói os laços de solidariedade entre os homens.
Onde quer que estejamos, seja qual for o problema que enfrentemos, sem uma verdadeira "educação ao humano" não encontraremos saída para nossos impasses.
(Comunhão e Libertação)
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
O grande problema da sociedade é educar o humano
As manchetes dos jornais anunciam as consequências das dificuldades econômicas do Brasil e as atrocidades do terrorismo e da "guerra contra o terror" no restante do mundo. Vemos que apostar na violência da guerra ou homologar a construção da sociedade a um governo salvador da Nação mostra-se inadequado para superar os problemas. Por estes caminhos, nada se muda, porque nada se constrói. A única solução possível passa pela "educação do humano". As dificuldades sociais, políticas e econômicas não serão resolvidas imediatamente através de um processo educativo, mas só através dele serão criadas condições adequadas para superar os problemas ou, pelo menos, permitir que eles não esmaguem os povos.
O terror só se sustenta a partir de uma visão deturpada da dignidade da pessoa humana, que vê no outro uma ameaça à própria realização. A guerra, como resposta ao terror é solução limitada e parcial, se é uma solução. Nesse sentido, também o fenômeno da violência urbana nas cidades brasileiras não é diferente do terrorismo.
Em qualquer situação, não se pode ser conivente com a morte de inocentes e com a impunidade, mas somente ajudando-nos mutuamente a reconhecer a nossa dignidade, recuperando uma postura solidária em que cada um de nós é co-responsável pelos outros é que podemos efetivamente fazer frente a todas as formas de violência.
Por outro lado, para a mentalidade dominante nosso grande problema é político-econômico - e sua solução implica em desenvolvimento, distribuição de renda, etc. Contudo, açõe efetivas neste sentido exigem criatividade, dedicação e consenso da sociedade. O Estado, por si só, não pode atender a todas as necessidades dos cidadãos, estimular a economia, tornar as empresas eficientes, garantir que não haja corrupção nos órgãos públicos. A construção de um mundo mais humano é principalmente uma questão de "mais sociedade" e não só de "mais eficiência estatal".
A tradição católica sempre nos preocupou com a questão da educação, não somente como qualificação profissional, capacitação para enfrentar problemas técnicos e econômicos, mas também como abertura do coração e da inteligência do homem a toda realidade. Esta postura valoriza as demais tradições, recupera a dignidade humana quando perdida e reconstrói os laços de solidariedade entre os homens.
Onde quer que estejamos, seja qual for o problema que enfrentemos, sem uma verdadeira "educação ao humano" não encontraremos saída para nossos impasses.
(Comunhão e Libertação)
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